Política

Estratégia para liberar processo
 contra Temer é esvaziar Plenário

Fonte: Correio do Brasil em 18 de Junho de 2017

Temer conta com a falta dos deputados para dar quórum à sessão da Câmara.

Integrantes de parte da base aliada de Temer combinam de, simplesmente, não aparecer para votar e negar o quórum.

O desgaste político que significará para aqueles parlamentares aliados ao presidente de facto, Michel Temer, não autorizar que ele seja julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) levou alguns articuladores a imaginar que, se simplesmente não aparecessem para votar e negassem o quórum à sessão, estariam liberados do crivo da Opinião Pública. Mas a estratégia é arriscada.

Analistas políticos ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil são unânimes ao afirmar que, se a regra for quebrada e houver menos do que 172 votos contra a liberação, Temer estará, praticamente, afastado do Palácio do Planalto.

Pela Constituição, a ação penal contra o presidente da República somente pode ser aberta no STF com o aval da Câmara. Para isso, é preciso que, no mínimo, 342 deputados, do total de 513, votem favoravelmente à liberação do processo.

Corrupção
Integrantes da base aliada temem se desgastar ao discursar no microfone contra o prosseguimento da ação. Por isso, segundo avaliam jornalistas da mídia conservadora, planejam faltar à sessão. Temer precisa contar com, no mínimo, 172 deputados, mas não necessariamente de seus votos - a ausência já seria algo favorável ao peemedebista.

A expectativa é de que, após Janot oferecer a denúncia, o ministro Luiz Edson Fachin, do STF, ainda fique ao menos 20 dias com o processo. Neste período, pedirá a manifestação das partes. Temer é acusado de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. É possível que Janot o acuse ainda de lavagem de dinheiro.

Retaliação
Enquanto luta, no front legislativo, Michel Temer abre uma segunda frente de batalha. Desta vez, contra o bilionário Joesley Batista. Ele admitiu, em entrevista a um canal de TV, na noite passada, que pretende usar o Estado para perseguir, diretamente, o dono da JBS, que o delatou.

- Se o Ministério Público não pretende tomar medidas judiciais contra um criminoso que mereceria 2 mil anos de prisão, eu tomarei as medidas para colocá-lo na cadeia - prometeu Temer.

Joesley Batista apontou Temer como chefe da "maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil". O mandataário anunciou que irá processar Joesley, mas não respondeu às perguntas que lhe foram encaminhadas pela Polícia Federal (PF).

O peemedebista já determinou que estatais rompessem contratos com as empresas do Grupo JBS. Temer também teria pedido à Advocacia Geral da União (AGU) para que estude medidas contra o empresário. Ele o acusa por "danos causados à economia do país".