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Juiz Odilon de Oliveira vai oficializar a aposentadoria “esta semana”, com possibilidade de sair do país

Fonte: Flávio Brito/Capital News em 21 de Setembro de 2017

Odilon é responsável pela prisão dos mais perigosos traficantes do país.

Deurico/Arquivo Capital News

"Esta semana", adiantou o juiz federal Odilon de Oliveira, sobre a entrega da documentação que oficializa seu pedido de aposentadoria. Apesar de não bater martelo sobre o dia, o encerramento da carreira de magistrado é certo. Em entrevista à equipe de reportagem do Capital News, o juiz titular da 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande foi questionado sobre se fará um anúncio oficial, como o que ele mesmo fez em fevereiro deste ano, em carta publicada sobre o assunto. "Assim que eu fizer a oficialização, é natural que a própria imprensa fique sabendo e noticie", disse.

Apesar do amor declarado pela função que exerce, parar de trabalhar não é a maior preocupação neste momento. Odilon teme a perda do direito de escolta armada, que o acompanha a 18 anos, dos 30 que ele tem de carreira - completados no dia 23 de fevereiro de 2017. A manutenção da segurança dispensada ao magistrado depende de decisão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). "O processo continua no CNJ para ser julgado, mas não nenhum definição", explicou. Caso a escolta seja suspensa, a medida para garantir a própria segurança e a da família pode ser drástica. O juiz cogita e admite a possibilidade de deixar o país. "Esta é a última opção, mas vou ter de fazer, se não houver outra maneira", afirmou.

Odilon detalhou ainda que já fez o pedido para a contagem de tempo de serviço e que a oficialização do pedido de aposentadoria é simples e feita por meio de preenchimento de formulário on-line. Em suas três décadas como juiz federal, Odilon não só colocou na cadeia algumas centenas de criminosos, como também esvaziou as contas bancárias das quadrilhas. Confiscou 282 imóveis do crime, 761 veículos e 27 aeronaves - parte deles vendida em leilões por um total de R$ 27 milhões, divulgou a revista Época, em março deste ano.

Sua trajetória profissional é uma coleção de condenações dos mais influentes traficantes de drogas com atuação na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia. Mandou prender o carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. E o paranaense Luiz Carlos da Rocha, o "Cabeça Branca", considerado pela Polícia Federal o maior narcotraficante internacional do país. A prisão do "Cabeça Branca", considerando o "barão das drogas" e o traficante mais procurado pela Polícia Federal. Ele foi preso pela operação "Spectrum", deflagrada em 1º de julho deste ano.

Como já noticiado, os próximos passos na vida do futuro juiz aposentado podem ser assumindo um cargo eletivo. Nesta terça-feira (19), ele confirmou que tem recebido convites de lideranças nacionais de diversos partidos para uma possível filiação e candidatura, mas negou um destes convites tenha vindo do presidenciável do PDT, Ciro Gomes.