Política

Volta de Aécio ao Senado pode influenciar recurso de Delcídio para recuperar mandato

Fonte: Izabela Jornada e Rodolfo César/Correio do Estado em 19 de Outubro de 2017

A decisão do Senado de revogar medidas cautelares que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia imposto a Aécio Neves (PSDB-MG) pode influenciar no futuro político de Delcídio do Amaral. Ele estaria avaliando preparar recurso para recuperar seu mandato também.

Diante do resultado favorável de terça-feira (17) no Senado para Aécio Neves, de acordo com informações do site Brasil247 o ex-senador alegou que se ele tivesse "sido flagrado pedindo dinheiro, talvez ainda fizesse parte do Senado. O tempo de Deus haverá de fazer justiça!", exclamou.

Delcídio, que foi líder da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ficou preso preventivamente por quase três meses após ser investigado por obstrução da Justiça no âmbito da Operação Lava Jato.

A prisão ocorreu em 25 de novembro de 2015. O processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado foi aberto no mês seguinte.

A confirmação da delação premiada de Delcídio, com acusações a diversos senadores, entre eles o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e o próprio Aécio Neves (PSDB-MG), fez com que o processo de cassação foi acelerado na Casa.

Já Aécio teve mais "sorte" que Delcídio. O senador mineiro não fez delação e ainda mandou carta para os colegas pedindo apoio e apelando para o corporativismo. A medida deu certo. Agora o parlamentar pode voltar a exercer seu mandato e não precisa cumprir recolhimento domiciliar noturno.

Esses benefícios obtidos por Aécio podem influenciar na tentativa de Delcídio em recuperar seu mandato. A informação chegou ser divulgada também no site O Antagonista.

Tanto na sessão que cassou Delcídio como a que reverteu a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) beneficiando Aécio Neves a participação dos senadores foi massiva. Na primeira foram 74 parlamentares, enquanto na de terça-feira (17) estiveram presentes 70.

A reportagem tentou contato com o ex-senador, mas ele não atendeu as ligações feitas em seu celular.

CASSAÇÃO
Delcídio do Amaral foi cassado em 10 de maio de 2016 por quebra de decoro parlamentar. O placar foi de 74 votos, nenhum contra e uma abstenção. Ele perdeu os direitos políticos e ficou inelegível por 11 anos.

Na época, Waldemir Moka e Simone Tebet (ambos do PMDB) foram a favor da cassação dele. Quem assumiu a vaga deixada foi Pedro Chaves (PSC). Os três senadores eleitos por Mato Grosso do Sul votaram a favor de Aécio Neves nesta terça-feira (17).