O meu amanhã !

Por * Janir Arruda

Eu tenho um monte de problemas para resolver e ainda sou um problema pra todo mundo! Quantos já não disseram estas palavras e outros tantos já ouviram. Mas será que é assim mesmo? Eu entendo que quando chegamos neste ponto é justamente o momento de se entender o essencial. E assim perceber quem nos traz a manifestação com disposição fraterna. E o que ocorre: nos amarramos aos edredons e ao escuro sendo acompanhados pelas lágrimas, a tristeza e... a depressão.

E a saída está lá fora em arejar o quarto, em ser humilde, em pedir ajuda em reconhecer os erros e em ativas o perdão e as desculpas. Ouvir música e deixar a poesia fluir. Ligar pra a mãe, pras amigas para o namorado ou pra quem nos interessa ou sabemos que se interessa por nós e que por vezes oferecemos o nosso silêncio e insistir em dizer dos momentos que ganharam consistência dos bons sonhos.

E o mais importante, em cada ligação ressaltar a cada um o quanto é importante tê-los na lembrança, em sua vida e na construção do amor diário. Essa pausa de trabalho no meio da semana (Finados) nos mostra que é bom viver em estado de gratidão. Assim Deus acontece todo dia.

Que tenhamos mais dias de folga e folguedos para ficarmos com os nossos amores. Que possamos regar as sementes solidárias da permanência e oferecer flores para os que nos cercam de cuidados, nos acolhe, nos surpreende e querem o nosso bem. Procurar não deixar que a dúvida se instale no nosso coração permitindo os lampejos da confusão, nem a marcha pelas veredas enganosas.

Que ao invés de palavras repetidas exaustivamente para nossos mortos e, potes de rosas deixados sobre túmulos tristes possamos oferecer abraços apertados para nossos vivos, frases de ternura, risadas de infância, suco natural e boas risadas.

Lembrá-los que ainda é primavera, que para o amor nosso coração nunca estará desprevenido e, saudade sem remorso e sem dor, é como ver arco-íris no céu, por uma janela que canta o amor, pedir pra voltar sem medo e sem receio, se entregar a paixão e ser feliz. No estilo mexicano pois lá o "Dia dos Mortos" é declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Na Guatemala, por exemplo, os mortos são simbolizados com pipas gigantes que, além de decorar o céu, simbolizam a alma de quem morreu. Já no Haiti, duas tradições - católicas e vudu - se misturam para celebrar o dia dos mortos. Tambores gigantes são tocados durante toda a noite para que o Deus dos Mortos acorde. A nossa tradição será outra... a da alegria, a da fé no que virá. E certamente podemos ser diferentes, sem remédios controlados, sem choros, sem afastamentos. Comece amanhã, aliás comece agora a ser feliz, é possível, sim: eu sei, acredito e confio!

*Assessora Executiva