Desenvolvimento industrial, empregos e sustentabilidade: eis os grandes desafios

Por * Janir Arruda

Podemos considerar que o início da atividade industrial na Cidade Branca veio com a observação e constatação das imensas reservas de calcário que favoreciam as indústrias de cimento (o grupo Itaú veio em 1950) e as riquezas minerais atraiam as mineradoras (em 1975 chegou a Urucum Mineração S/A e a Companhia Vale do Rio Doce). O Moinho Mato-grossense que trabalhava o trigo argentino que chegava até Corumbá através do retorno das embarcações que transportavam o minério pelo rio da região acabou na década de 1960. Em 1977, com a criação do estado de Mato Grosso do Sul, Campo Grande se tornou o centro, restando a Corumbá poucas atividades industriais, um comércio de pequena expressão e a grande atividade econômica assentada na pecuária.

A agricultura é desenvolvida quase que exclusivamente nos assentamentos. A falta de água ou a irregularidade no abastecimento, provocados pelos pequenos índices pluviométricos, são fatores que prejudicam principalmente as culturas anuais. Este é um dos principais fatores limitantes da produtividade agrícola nos assentamentos. Os assentamentos Tamarineiro, Tamarineiro II, Taquaral, Mato Grande, Urucum e Paiolzinho somam uma área total de 28.885 hectares, a terra está distribuída entre 1.1 65 lotes.

Uma das empresas instaladas em nosso município que gostaria de usar como exemplo da minha análise é a Vetorial, que é um dos maiores produtores independentes de ferro-gusa no Brasil. A empresa foi fundada em 1969, tem sede em Belo Horizonte, mas concentrou sua atuação em Mato Grosso do Sul onde é responsável pela geração de mais de 1.000 empregos diretos.   A estrutura é verticalizada com negócios independentes. A Vetorial Energética (gestão florestal e produção de carvão vegetal) tem plantio atual de 40 mil hectares em Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Nova Andradina e agora Dourados. A proposta é chegar a 80 mil hectares em 2017. A Vetorial Mineração produz em Corumbá (Maciço de Urucum) e exporta minério de ferro. A Vetorial Siderurgia produz ferro gusa em Corumbá, Campo Grande e Ribas do Rio Pardo.

Considerada uma das exceções no país, a Mina de Urucum, especializada na extração de minério de ferro e manganês, é uma das únicas a ter dois bens minerais em uma única morraria. A produção da mina gira em torno de 2.5 milhões de toneladas de minério de ferro e cerca de 800 mil toneladas de manganês. O produto é exportado para a Argentina e países europeus por vias terrestre e fluvial. Esse volume pode se tornar ainda maior com a expansão subterrânea de manganês, prevista para acontecer nos próximos anos. Além disso, a empresa gera riquezas com responsabilidade social e ambiental. A empresa tem no carvão vegetal seu principal insumo. Por isso busca, constantemente, a autossuficiência em suas matérias primas e no caso do carvão vegetal, esta meta será atingida através do plantio intensivo e constante de florestas de eucalipto. Aonde espera-se totalizar em 2018, 48 mil hectares de florestas plantadas tornando a Vetorial uma empresa 100% sustentável.  Além disso a sustentabilidade é esperada tanto pela população como também pela natureza e por isso tem uma equipe especializada no desenvolvimento dos projetos de plantio de espécies nativas, em área de preservação ambiental que são na nascente do Córrego Areias, importante corpo d´água do município de Ribas do Rio Pardo e no córrego Piraputangas no município de Corumbá, aonde são plantados as mudas de Ipê, Ingá; Oiti; Angico; Balsimin; Paineira; e Imbaúba. Para os ladarenses e corumbaenses, unir o desenvolvimento industrial, oferta de postos de trabalho e a sustentabilidade ambiental, ao bem estar da população será sempre o grande desafio.
*Assessora Executiva