AMIZADE

Por *Fabio Pexe

Recentemente comemoramos o Dia do Amigo. Num mundo onde a competitividade e o individualismo são marcas registradas, é essencial cultivar e valorizar as amizades.

Ter uma rede de suporte afetivo e de relações de confiança faz bem a todos nós.

Como é bom saber que podemos contar com o apoio incondicional de pessoas que amamos e, em alguns casos, se tornam mais próximas do que membros da própria família.

O mestre Vinícius de Moraes sintetizou bem a importância dos amigos em nossas vidas: "enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Estabelecer e cultivar amizades exige uma atitude preliminar e imprescindível: estar bem consigo mesmo. Amar a si próprio é a condição básica para abrir-se a outros relacionamentos.

A pessoa que não consegue amar a si mesma terá dificuldades em encontrar amigos ou se fazer amiga de outra pessoa. Amar a si mesmo é buscar o bem-estar (saúde) pessoal no nível físico, mental, espiritual e afetivo. É a época que desenvolve a capacidade de voltar-se para si mesma (introspecção) com visão e sabedoria para conhecer seus limites, seus potenciais, suas carências, suas necessidades e suas contradições.

Neste árduo e, ao mesmo tempo prazeroso processo de construção de laços afetivos, é tarefa básica procurar distinguir a amizade de outras relações interpessoais.

Há indivíduos que se aproximam de outros com o objetivo de instrumentalizar a pseuda amizade e, desta forma, tirar algum tipo de vantagem. É uma aproximação ‘utilitária' que passa pela ‘venda' ou barganha de sentimentos e afetos.

Hoje, especialmente nas redes sociais, temos outro perigo: os simulacros da amizade que se sustentam nos espaços virtuais. Tem pessoas que se orgulham de ter milhares de "amigos". Não quero aqui fazer apologia contra essas redes, pois sei que cumprem funções importantes, tais como, resgate de antigas amizades, aproximação entre pessoas conhecidas e contato com pensamentos e formas diferentes de entender a vida. Mas, não podemos terceirizar as relações afetivas para os ambientes virtuais.

A amizade genuína é baseada em relações de afeto, confiança e cumplicidade. É quando nos sentimos à vontade na presença do outro. Como dizia Mário Quintana: "é quando o silêncio a dois não se torna incômodo".

É ser íntimo sem ser invasivo. É estar próximo sem se tornar importuno. É se sentir acolhido em qualquer circunstância. É uma relação iguais, sem subserviência.

Recentemente, quando eu e minha esposa, decidimos vir morar em Corumbá, um amigo nos disse: "quando vocês voltarem, espero sempre ser lembrado entre os que são de casa, e que podem entrar pela porta da cozinha".

Que possamos continuar tendo amigos que, sem formalidades, estejam conosco ao redor da mesa da cozinha para celebrar o doce sabor da vida e, se for o caso, chorar as nossas dores, perdas e sofrimentos.

* Publicitário, Pós graduado em Gestão de Mercados, MBA em Marketing, e membro da ASBPM