O Valor que aceitamos

Por *Fabio Pexe

O leitor já parou para pensar, qual é o real valor que damos para as coisas, que aparentemente temos interesse?

Isto é interessante, pois com a correria do dia a dia, estamos cada vez mais "aceitando" o que nos passam como valor, do que realmente, são nossos valores.

Um exemplo muito interessante é o que aconteceu em Nova York, com iniciativa do famoso jornal The Washington Post (EUA), que tinha como intenção, lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

Fizeram uma experiência onde um "sujeito simples" desce na estação do metrô de Nova York (EUA), com vestes comuns, jeans, camiseta e boné.

Tira um violino da caixa e com entusiasmo, começa a tocar para a multidão que passa por ali, bem na hora do pico de movimento. Milhares de pessoas, indo e vindo.

O concerto dura cerca de 45 minutos, onde ele foi praticamente IGNORADO pelas pessoas que passavam (com pressa) pelo local.

O músico era nada mais, nada menos, que Joshua Bell, atualmente um dos maiores violinistas do mundo, executando músicas de compositores consagrados, num Stradivarius de 1713, raríssimo, estimado em mais de 3 milhões de dólares (aproximadamente R$ 9,5 milhões!!!!!).

O interessante é que alguns dias antes, Joshua Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston(EUA), com lugares que chegavam a custar à bagatela de mil dólares (R$ 3.200,00). Todos esgotados. A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, indiferentes ao som do violino, diferentemente das enormes filas e valores caríssimos para assistir a seu show, dias antes.

Como conclusão, percebemos que estamos acostumados a dar valor às coisas, quando estão num contexto. Bell, no metrô, era considerado uma obra de arte sem moldura, podemos dizer assim. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

Afinal, o que tem valor real para nós? Será que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço?