Turismo. Está bom como esta?

Por *Fabio Pexe

Fui convidado a escrever um pouco sobre marketing, e escolhi voltado ao turismo como tema, pois afinal, estamos em uma cidade onde este segmento é de suma importância para a economia.

Marketing! Já ouvi falar, mas o quê, realmente é isso? Bom, está aí uma pergunta difícil. Não pela explicação, mas por ser oito ou oitenta. Uns acham que é um bicho de sete cabeças, que é oneroso, muito lero-lero, que não tem condições e que não é para ele. Outros acham que já sabe tudo a respeito, que é só copiar o que deu certo, que não precisa de profissional para isso, é só ter uma ideia boa, que ele como comandante sabe o que dá certo ou não.

Na verdade é um pouco a mistura dos dois lados. Tem muito lero-lero e pouco conhecimento de fato. Vejamos o exemplo do Marketing Turístico. O que de novo, de rentável e de prático está sendo feito? Será que não se usa as mesmas ideias, gestão atrás de gestão?

Em âmbito nacional, o Brasil recentemente foi sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, e não soube aproveitar. Pelo menos não como gostaríamos. Mesmas ideias, mesmas ações. Há exemplos de países que sediaram apenas um destes eventos e conseguiram dar outro rumo a sua história turística, inovando conceitos na época, como o simbólico caso da Espanha, através da cidade de Barcelona.

E se trouxéssemos este assunto para mais próximo de nós, mais especificamente em Corumbá, será que mudaria algo?

O brasileiro tem se tornado um viajante mais frequente e com maior critério na escolha dos destinos turísticos. Distância, preço e atratividade exercem grande influência na decisão do local onde passarão seus momentos de lazer. Destes fatores, o que mais me preocupa é a atratividade. Ora, distância, não conseguiríamos colocar a cidade nos ombros e mudar. Preço, se a atratividade for boa, os momentos serão inesquecíveis, e isso, como o ditado diz, "não tem preço". Agora a atratividade.... isso sim, depende de nós.

Ou ficamos inertes e não buscamos inovar em nada, esperando que "apenas" nossas paisagens naturais abençoadas por Deus façam todo o nosso serviço, ou buscamos ações e atrativos que, somadas com o que temos, ofereçam estrutura e diversificação para completar o quadro de título "beleza natural". Seria como uma moldura, um bom leiloeiro e um tema.

Exemplos: muitos destinos com potencial de atratividade pela cultura e belezas naturais, como o nosso caso, apresentam dificuldade de acesso, seja rodoviário, pela qualidade das estradas, pela insuficiência da malha aérea e/ou custos das passagens. Somam-se a isso, poucas mudanças e criatividades nos passeios, onde quem o fez a cinco anos atrás, praticamente não vai notar diferença, falta de mão de obra especializada (entenda-se atendimento, ou vontade de) e praticamente ausência de estímulos e ideias governamentais.

Percebo que de um modo geral, ficamos presos a propagandas e ações que passem atributos como descanso e tranquilidade, tempo com a família e amigos, diversão e beleza natural. E talvez seja hora de explorar nichos de mercados novos, como criatividade e inovação, aliados a patrimônio histórico e cidades históricas.

Sempre cito como exemplo os EUA, onde em uma simples partida de basquete universitário consegue-se girar milhões. Ou qualquer outro esporte. Não só de dinheiro, mas de emprego, rotatividade de produtos e serviços oferecidos. Existe o mascote local, cercado pela sua enorme fila para se tirar fotos, as camisetas do time de todos os tamanhos e formatos, sejam femininas ou masculinas, uma quantidade enorme de bugigangas, perdendo somente talvez, para os carrinhos de comidas, os famosos food trucks, com músicos locais mostrando seu trabalho enquanto animam o local, além de não raro, abrigar no mesmo espaço pequenos parques de diversões, com jogos de tiro ao alvo, pega urso e roda gigante. Isso sem citar os esportes profissionais, ai o bicho pega.

Estas ações não só atraem o turista, como o próprio cidadão. E não me venham comparar renda, por favor. Muitos são voluntários, ou querem mostrar seus serviços e dotes, buscando oportunidades futuras. Um passeio de mãos dadas com a namorada mais um algodão doce, não piora a vida de ninguém, ao contrário.

E por que não pensarmos em algo parecido, dentro de nossa realidade? Com uma orla desta, que impressiona até os forasteiros mais carrancudos (no caso eu), e um Rio Paraguai em nosso quintal, com seu por do sol, sua flora e fauna, precisamos apenas de criatividade e ações, para atrair e, principalmente manter, o turista, aqui considerando tanto externo como interno.

Sem falar que, conforme citado no começo do texto, Corumbá localiza-se próximo a nossos irmãos bolivianos, e seu bem vindo poder aquisitivo atual, além de possuir aeroporto capaz de receber voos domésticos. Ou seja, distância e preço como disse, não vejo problema, agora a atratividade..... isso sim devemos e podemos mudar. (Publicitário, Pós graduado em Gestão de Mercados, MBA em Marketing, e membro da ASBPM)