Cantinho do Betão - SAUDADEANDO V

Por Roberto Maciel (Betão)

Sentado no sofá da sala
Com a mente saudadeando
Passei o tempo pensando
No saudoso ZERO BALA.
Só lembrança,
Sem esperança
De volta,
Para um passado sem volta,
Não adianta chorar
Só lembrar... lembrar... lembrar
E sonhar
Com aquele lanche gostoso
O X-Pantaneiro famoso
E a porção de calabreza,
A musiquinha de fita
E a gelada na mesa.
Os fregueses do dia-a-dia,
Cada qual com sua mania:
Serginho com o sanduba apimentado,
Adilson com o pão bem torrado
Bem prensado
Quase queimado
E a pinguinha com abacaxi.
"Nerso Preto" mulando
Os clientes perturbando,
Andando daqui e dali.
Nas noites de quinta-feira,
Todo produzido e perfumado
Adilson de Tergal e camisa de linho
Cabelo esticadinho
Saía prá dançar baile
No extinto "Muro Quebrado".
"Amiguinho", no balcão,
Copo de cerveja na mão,
Me queria sempre por perto
Pois quando a fita acabasse
Só pedia que eu tocasse
Outra fita do Roberto.
Ah, Meu Velho ZB Lanches
Tudo agora não é como antes.
Cadê o "Bom-de-Causo" Luizinho
Mestre Rubens e "Francis"
O Mago da "Confecções"
Me lembro deles no dia-a-dia
Personagens do meu "Vila Utopia"
Que belas recordações!
Meu ZERO BALA saudoso
Com seu hamburguer gostoso
Temperado com alecrim
Do espetinho na chapa
E da pinguinha com angelim.
Lá fora, as quatro mesinhas,
Na janela, o balcãozinho
Aguardavam, pacientes
Pelos primeiros clientes.
Lá dentro, a chapa ligada
Com esmero eu preparava
O sanduba do Chiquinho
E o X-EGG do "Goiaba".
Sem pretensão de Poeta
Meu verso tem rima pobre
Mas escrever é coisa nobre
Seja em verso ou em prosa
E se a porta estiver aberta
Mando meu saudadeando
Saudadear é coisa gostosa.