Cantinho do Betão - DEZEMBRÃO – 2017 – II

Por Roberto Maciel (Betão)

Depois que XANDÃO viajou, as coisas entraram nos eixos e com a saída do 13º, eu e a Consorte, fomos às compras e eu me presenteei com um panelão de ferro, deixando outros presentes para quando o movimento nas lojas diminuísse e os preços baixassem. Agora era aguardar o Natal, data em que eu e a Consorte passamos em casa, só nós dois e os cachorros, ouvindo música suave e degustando um vinhozinho antes da Ceia.

NATAL EM FAMÍLIA
A Consorte preparou para a Ceia, um lombinho suíno com batatas douradas, uma farofa afrescalhada e arroz branco. A garagem, previamente decorada com um arranjo que fiz com 3 cachos secos de bocaiúva (herança da minha querida bocaiuveira que o vizinho pé-no-saco me intimou a sacrificar), todos pintados com spray dourado e ornamentados com lampadinhas, tendo ao lado, dois afrescos pintados em disco, pelo meu amigo Criolo. Por sorte tivemos uma Ceia tranquila pois a chuva deu uma trégua.

No dia seguinte, fomos almoçar na casa da Mana Corintha onde rolou salada, bacalhoada e arroz com brócolis. Acabei faturando uma calça jeans e um jogo de copos para o meu barzinho.

O pior de tudo foi o dia 25, segunda-feira e feriado. Vila Carlota deserta, tal qual uma cidade fantasma e São Pedro mandando aquela chuvinha básica. Ainda bem que eu já havia comprado, anteriormente a cervejinha para levar no almoço da Mana.

FILHO NOVO
Acho que na semana que antecedeu o Ano Novo, São Francisco de Assis entrou em recesso e me deixou como substituto pois, logo após as festas Natalinas, quando a chuva nos deu algumas horas de trégua, achei, quando varria a rampa da garagem, um filhote de sabiá. Peguei o bichinho apesar dos protestos de Dona Sabina, que dava rasantes em minha cabeça. Tentei soltá-lo no jardim mas a avezinha, embora já provida de algumas penas, ainda não tinha força suficiente para voar. Com medo de que os cães a atacassem, tive a ideia de adotá-lo por uns dias até que ele tivesse condições de retornar ao convívio dos pais.

A opção mais segura que tive foi trancar BININHO na minha gaiola de secar carne que estava desativada por causa das constantes chuvas. Improvisei um ninho de papelão forrado com guardanapos de papel e, para alimentar o bichinho preparei uma jacuba com leite e fubá. Alimentei-o por dois dias, sempre com o olhar atento da Dona Sabina que não despregava da grade próxima da gaiola e, quando eu virava as costas, ela pousava sobre a tela, sempre carregando alguma coisa no bico.

No terceiro dia, abri a gaiola e a madame, assim que me afastei um pouco, pulou para dentro e tafuiou um goela abaixo no pequerrucho. Esse ritual continuou por alguns dias e, sempre na parte da tarde, aparecia o pai para dar o maior apoio. O bichinho foi se desenvolvendo e já escalava a tela, ficando sobre a gaiola aberta enquanto Dona Sabina o alimentava.

Foi ganhando confiança, até que no dia 29, conseguiu voar para o quintal. Passei quase meia hora para pegá-lo de volta, sempre com o casal Sabinístico rasanteando minha cabeça. No dia seguinte, por um descuido da Consorte, ele bateu asas definitivamente, deixando saudades. Deve ter ficado alguns dias no alto da goiabeira pois, sempre que eu ia ao quintal, via mamãe sabiá desviando minha atenção e quando eu saía, ela pousava, bicava a terra úmida e ia para cima da goiabeira.

Este exemplo de amor materno é um tapa na cara daquelas mães humanas que jogam seus filhos no lixo...

BANHO SUÍNO
Quero passar pelo menos um mês sem ver carne de porco pela frente. Depois da ceia de Natal, o que sobrou do lombinho suíno foi degustado por quase todo o resto da semana, ora frito, ora ao molho, ora como recheio de sanduba no jantar e omelete no almoço.

A maioria dos "Primeiro do Ano", eu e a Consorte também passamos só nós e os cães no mesmo estilo Natalino. Estávamos sem ideia do que iríamos fazer para a Ceia (qualquer coisa, menos porco), quando surgiu o convite da Mana para passarmos a entrada do ano em sua casa. Cardápio: pernil de porco. Eu mereço...
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AOS QUERIDOS AMIGOS E LEITORES, QUE TENHAMOS UM BOM INÍCIO DE ANO, PELO MENOS ATÉ O DIA DA VOTAÇÃO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA.