Cantinho do Betão - BRINCADEIRAS DE INFÂNCIA I

Por Roberto Maciel (Betão)

Briquitando com Olívia um saudadeando em prosa sobre as famosas brincadeiras da querida infância que sumiram com o passar do tempo em que podíamos brincar tranquilos, à noite, na porta da rua. Listei algumas delas e vou usar os mesmos nomes que a gente usava aí em Corumbá.

Quase todas as noites, eu e meus primos e alguns amiguinhos da quadra nos reuníamos para brincar na calçada da casa da Vovó Calú. Enquanto a velharada papeava lá dentro, nós nos divertíamos lá fora, curtindo o clarão da lua.

COLA-PAU
Consistia na luta entre duas equipes para resgatar dos adversários qualquer pedaço de madeira colocado no final de cada campo delimitado ao meio, por uma linha. As equipes de ambos os lados tentavam burlar a defesa para conseguir roubar o troféu. O adversário, ao invadir o campo oposto, corria o risco de ser "colado" quando o rival o tocava. Caso isso acontecesse, teria que ficar parado até que um dos parceiros tocasse sua mão para "descolá-lo". A batalha terminava quando alguém de uma equipe conseguisse pegar o pau do adversário e chegar ao seu campo sem ser "colado".
Às vezes, só os meninos iam até ao Jardim da Independência, que ficava na outra quadra, para brincar com a turminha que morava no Edifício IOSA.

PULAR CARNIÇA
A galera se posicionava em fila indiana, mantendo alguma distância um do outro, com as pernas flexionadas e as mãos apoiadas nos joelhos. O último da fila teria que pular por sobre cada um, apoiando suas mãos nas costas do agachado e ficar na mesma posição dos demais, enquanto que, mesmo antes do parceiro terminar o percurso, o seguinte já saía no pula-pula. Quando todos já tinham dado uma de sapo, a galera se virava na direção oposta e começava tudo de novo. O divertido era quando o pulante era meio pesadinho e o pulado não conseguia suportar o peso. Aí então, o outro que vinha pulando atrás trompava nos caídos...

ESCONDE-ESCONDE
Esta era uma brincadeira interna. A antiga casa da Vovó Calú, situada na rua Dom Aquino, entre a Sete e a Quinze, era estilo antigo, em que os quartos se confinavam, porta a porta e era nesse ambiente, nas noites em que ameaçava chuva, que nós nos divertíamos.

O procurador, na copa, contava até cinquenta enquanto a turma se escondia por baixo das camas, atrás dos guarda-roupas, atrás dos outros móveis, enfim, nos lugares em que achassem melhor. Um detalhe: as luzes apagadas. Terminada a contagem o procurador saía para procurar os escondidos e o primeiro a ser achado virava o procurador.

PEGADOR
Era mais uma brincadeira de rua, com a recomendação dos pais para que não saíssemos da calçada.

Para escolher o "pegador", havia um ritual de seleção: a galera ficava em meia-lua e um deles fazia o ritual, apontando um por um, enquanto recitava - uni duni tê, salamê minguê, um sorvete colorê, uni duni tê. O último era o escolhido e a criançada tratava logo de correr pois o cara não perdia tempo, saindo logo em disparada atrás dos fugintes. O primeiro a ser pego, era o próximo "pegador".

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Incrível, como a gente tinha criatividade: Na minha época só ganhávamos presentes no dia do aniversário, no Natal ou no dia das Crianças mas, a nossa criatividade transformava os materiais mais simples em verdadeiros tesouros. Os piões feitos com as "cabecinhas" das vassouras atravessadas por um prego (batatinha); as latas de leite Ninho, cheias de terra, furadas nas duas extremidades, atravessadas por um arame e puxadas por um cordão, fornecia-nos os "amassa-terra" e, quando emendávamos duas, três e até cinco latas, tínhamos um trem. Uma latinha de massa de tomate furada ao meio e atravessada por um cordão amarrado a um pedaço de pau, nos fornecia um bilboquê; duas latas de conserva unidas por uma linha de carretel, transformava-se em telefone; Um pé de meia cheio de pano e bem costurado, era nossa bola para as famosas peladas ( muitas "tampas" de dedão do pé foram arrancadas nalgum toco de árvore ou pedra num desses jogos); flautas feitas com talos de folhas de mamoeiro; assobios com papel de caramelo, ah! Velhos tempos de criança...

BARATA-VOA
Era como, nos dias de hoje, a noiva jogar o buquê para as amigas... só que nós jogávamos caramelos ou qualquer outra prenda.

QUEIMADA
Outra utilidade da bola de meia, além do futebol, era a "queimada". O "queimador" ficava com a bola e corria atrás dos demais na tentativa de acertá-los e o que era acertado, retomava o jogo, tentando acertar os demais. Era um corre-corre do cacete para se livrar das bolas pois, uma cacetada no lombo...

NA PRÓXIMA EDIÇÃO TEREMOS MAIS ALGUMAS BRINCADEIRAS.

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