Educação

Alunos do Objetivo lançam olhar crítico para questões sociais no Fórum Pantanal

Fonte: Nelson Urt em 20 de Novembro de 2016

Navepress

Silêncio na plateia. Quem está no palco, microfone na mão, voz clara e firme, é a estudante Nicolle Caroline, de 15 anos, do primeiro ano do ensino médio do Colégio Objetivo. O tema é polêmico e palpitante, todos ouvem com muita atenção: Menores Infratores e Maioridade Penal. Depois da exibição de um vídeo sobre violência urbana, começam os debates. Dúvidas são esclarecidas. Este foi um dos destaques do 15º Fórum Infantojuvenil do Pantanal, com realização do Colégio Objetivo e Embrapa Pantanal.

O Fórum promoveu o intercâmbio entre os alunos do ensino fundamental e  médio, em uma faixa etária dos seis aos 17 anos, de quinta a sábado. Por meio de palestras e debates, inspirou o desenvolvimento da sensibilidade e da crítica para problemas que comprometem a conservação do meio ambiente, no caso específico do Pantanal, e para questões sociais. Prepara o estudante para a vida.

"As crianças expõem o que pesquisaram o ano inteiro, não só temas da área de ciências naturais, mas das áreas sociais, ciências de uma maneira geral", afirma a diretora administrativa e pedagógica do Colégio Objetivo, Lígia Baruki. "Saímos do sistema Objetivo que é riquíssimo, apostilado, com material nacional, para atender o enfoque específico regional, temas que  trabalhamos de forma diferenciada como a questão do pantaneiro, a caça ilegal, a pesca predatória, além das questões sociais", acrescenta.

Diretora Lígia Baruki comanda Fórum que movimenta mais de 400 alunos.

Nicolle Caroline apresenta com desenvoltura o tema dos Menores Infratores e Maioridade Penal, ao lado do colega Matheus Ferra. Os pais dela ocupam cadeiras bem ao lado do palco e também estão atentos. Eles foram convidados pela direção da escola para assistir à palestra da filha, que tem uma relação de afinidade com o Colégio Objetivo. "Quanto tempo estudo aqui? Desde que nasci. Comecei na creche, no maternal, e estou até hoje", conta a estudante. "Pretendo futuramente me relacionar com a área da saúde, fazer Odontologia, mas escolhi esse tema de pesquisa porque está bem relacionado com jovens como eu", esclarece.

Os outros temas abordados no fórum seguiram a linha de interesse regional: "A beleza do Pantanal: um foco na mata ciliar"; "Por que é tão difícil o pantaneiro conhecer o Pantanal"; "O Trem do Pantanal"; "Impacto ambiental no Pantanal, caça ilegal, queimada, pesca predatória, seca e desmatamento".

Palestras e debates envolveram mais de 400 alunos do Colégio Objetivo de quinta-feira a sábado, lotando seguidamente o auditório. "É o resultado de um trabalho de dez meses, e ficamos felizes em observar a atenção e o envolvimento dos alunos", destacou a assessora pedagógica, Adelma Galeano.

Nicolle e Matheus debateram sobre Menores Infratores e Maioridade Penal.

O Fórum contou ainda com palestrantes convidados da Embrapa Pantanal, da Secretaria de Saúde de Corumbá e do Creas (Centro de Referência Especializado em Assistência Social). Em parceria com a Embrapa Pantanal, o Fórum do Pantanal é realizado desde 2001 e completa 15 edições.

O Fórum deste ano coincide com os 15 anos de falecimento de Salomão Baruki, o fundador do Instituto Superior do Pantanal. A diretora Lígia Baruki concretizou um sonho do pai. "O sonho de papai era implantar o curso de Direito, ele morreu antes disso, mas eu batalhei e consegui por ele", lembra. Até ali havia os cursos de Turismo, Zootecnia e Economia.

Professora Fernanda abordou temas sobre doença infectocontagiosas.

Depois de implantar o Direito, Ligia negociou os cursos superiores com a Missão Salesiana. Mas a empresa não foi vendida e serviu como base para o Colégio Objetivo atual. O Fórum surgiu como um evento universitário, mas o Objetivo abraçou a ideia, em parceria com a Embrapa, e o transformou em Fórum Infantojuvenil do Pantanal direcionado aos alunos do fundamental e ensino médio. E nunca mais parou. "Os alunos se preparam durante o ano, vivem intensamente este Fórum, anotam tudo, enchem o auditório", observa Ligia Baruki.

Fernanda Victorio da Silva, professora de Ciências
"Meu tema foi doenças infectocontagiosas, trabalhamos com vídeos e palestras. Mostramos o que é a doença e como fazer para evitar, discutimos em sala e fomos à rua, no Centro, com 100 questionários. Perguntamos às pessoas se sabiam o que era e quais eram essas doenças, se fazem prevenção. Voltamos à sala de aula e fizemos gráfico do que foi apurado".

Mariana Silva de Paiva, aluna, 8 anos
"Apresentei uma redação sobre como preservar a natureza, o que pode e o que não pode fazer. Não pode jogar lixo na rua, porque quando chove a água acumula, e não pode deixar piscina suja, porque senão vira foco de mosquito. Fizemos um livrinho sobre a dengue, não pode jogar sofá e fogão por ai, tem lugar certo, pode entrar água e virar foco de mosquito. Vimos vídeos e fotos de piscinas sujas".

Aluna Mariana aprendeu noções básicas de preservação da natureza.