Agronegócios

Sindicato Rural busca novos sócios, capacita pantaneiros e amplia leilões

Fonte: Nelson Urt em 26 de Dezembro de 2016

Navepress

Zootecnista formado em Alfenas, Minas Gerais, com pós-graduação em Lavras-MG e especialização em liderança na USP (São Paulo), Luciano Leite, de 41 anos, começa seu segundo mandato de mais três anos na presidência do Sindicato Rural de Corumbá. Entre suas metas está dobrar o número de associados, que hoje está em 250, patamar ainda pouco expressivo diante das 2 mil propriedades da planície pantaneira. "Mostramos os benefícios de se associar ao Sindicato, os cursos técnicos gratuitos, e já houve um aumento de adesões, isso serve para manter a classe unida", afirma Luciano Leite nesta entrevista ao Correio de Corumbá. Outra de suas metas é voltar a colocar a Feapan (Feira Agropecuária do Pantanal), exposição anual no Parque de Exposições Belmiro Maciel de Barros, no calendário do aniversário de Corumbá, e para isso ele pretende se reunir com o prefeito eleito Ruiter Cunha e secretários. Uma das conquistas do Sindicato, que completou 50 anos em 2016, é a construção de um novo mangueiro (curral para manejo de gado) no Parque de Exposições, o que possibilita a partir de 2017 a ampliação do número de leilões em parceria com a Leiloboi. "Nossos leilões são muito conhecidos e vem gente de fora atrás do gado pantaneiro", destaca. A capacitação do homem pantaneiro tem sido outro foco do Sindicato. Só em 2016, segundo Luciano Leite, 800 pessoas se profissionalizaram em cursos gratuitos em parceria com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Luciano Leite está há 9 anos no Sindicato e na gestão anterior foi secretário de Rafael Kassar. Ele também é vice-presidente regional do Pantanal na Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS) e pertence a famílias de tradição pecuarista pantaneira, Leite e Barros, das regiões do Taquari, Nhecolândia e Abobral. 
 
Correio de Corumbá - Como está hoje a representatividade do Sindicato Rural?
Luciano Leite - Montamos um grupo de compras no Sindicato Rural que representa associados que são proprietários de 1 milhão de cabeças de gado em Corumbá. O município possui hoje 2 milhões de cabeças de gado, e dessa fora compramos para 50% do que existe no rebanho.

Há possibilidade de ampliação do número de leilões?
Sim. O Sindicato está completando 50 anos e conseguimos a construção de um novo mangueiro (curral onde o gado é manejado) no Parque de Exposições Belmiro Maciel de Barros, por meio de doações de associados e não associados, produtores que acharam por bem fazer essas doações. O mangueiro permite que façamos a partir de 2017 um leilão por mês em parceria com a Leiloboi. Vamos atender principalmente a região do Paiaguás e Alto Corumbá. O mangueiro tinha 50 anos de utilidade e não estava mais comportando o que vinha acontecendo na nossa feira. Temos leilões em que disponibilizamos de 250 a 300 touros. Nenhum lugar do Estado tem leilões com essa quantidade de touros reprodutores.  E com isso há um melhora genética do rebanho da região pantaneira. É uma outra conquista a frente do Sindicato Rural de Corumbá.

Quantidade ou qualidade do rebanho, o que mais preocupa?
Na verdade estamos preocupados com a qualidade do nosso rebanho. Uma reportagem no leilão da Fazenda Novo Horizonte mostrou que as pessoas estão vindo de fora do Estado adquirir animais da nossa região, no Pantanal. Pela qualidade dos nossos animais. Além da genética com touros, estamos trabalhando genética em outros animais, temos palestras técnicas para associados no Sindicato, uma vez por mês, com empresas que trabalham com essa parte técnica de vendas de produtos para o produtor, e também uma parceria muito forte com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).  Só no ano de 2016, conseguimos capacitar 800 pessoas, gratuitamente. Profissionalizamos pessoas do campo, para trabalhar com tecnologia do campo.

Há algum projeto direcionado aos jovens?
Pra 2017 temos um projeto de ação social chamado Agrinho, junto com o governo do Estado e Prefeitura de Corumbá, envolvendo Sindicato Rural, Senar e Famasul. Vem a ser um projeto para capacitar alunos das escolas municipais e estaduais, mostrando que vem a ser a produção do agronegócio no município. São professores do Senar que vão ministrar aulas dentro da grade curricular e além disso pais e mães serão beneficiados com cursos técnicos também sem custo pelo Senar.

Como está a relação do homem pantaneiro com a preservação do Pantanal?
Podem ver que o Pantanal nosso está produzindo há 300 anos, e com 87% do bioma preservado, isso graças à pecuária. Há um estudo feito pela Embrapa Pantanal concluindo que se não existe o boi dentro do Pantanal, a área pantaneira poderia virar um enorme incêndio. Isso já acontece nas reservas (naturais pertencentes a particulares) existentes dentro do Pantanal, um alto índice de incêndio acontece nessas reservas, por causa do aumento de macega (mata fechada) onde não tem o gado para comer essa macega. Então, qualquer raio que cai nessa região provoca o incêndio.

E como equacionar o problema de incêndios nas reservas?
As reservas já foram criadas há anos, são consolidadas, e nossa preocupação é com relação à utilização das áreas para evitar os incêndios. Nesse ponto, as estatísticas mostram Corumbá como um município com alto índice de incêndios, mas isso não ocorre nos locais onde está a atividade da pecuária. O gado faz esse trabalho de bombeiro do Pantanal. Tivemos uma reunião com o novo chefe da Embrapa Pantanal para podermos voltar a trabalhar juntos para não termos problemas mais para frente com novas legislações que possam surgir para o Pantanal. Estamos montando um grupo técnico no Sindicato Rural com o grupo técnico da Embrapa Pantanal.

Como tem sido o diálogo com os donos das reservas naturais?
Nosso diálogo é amigável com os donos de reservas, temos de trabalhar todos juntos, porque o Pantanal é um só, é o bioma considerado patrimônio da humanidade. Só que não podemos esquecer do homem pantaneiro que preserva tudo isso há 300 anos, de inserir o homem pantaneiro dentro das novas legislações. O homem pantaneiro tem de estar participando através do Sindicato Rural.

O que tem sido feito para minimizar o desastre do rio Taquari?
Com relação ao desastre do Taquari, tivemos audiências públicas do Senado, no Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE), com o Sindicato Rural participando. Temos tido conversas com o secretário de Estado do Meio Ambiente Jaime Verruck. Trata-se do maior problema ambiental do Brasil, e não dependemos mais do homem pantaneiro para resolver, dependemos dos nossos políticos, e como o Brasil hoje é complicado, não podemos saber o que vai ocorrer no Taquari. Hoje temos 1 milhão e meio de hectares submerso, onde muitos produtores tiveram de abandonar suas atividades, muitos ficaram pobres, sem nada, tendo que hoje trabalhar como funcionários em outros ramos de atividades. E muita colônia agrícola do Taquari se deslocou para a cidade, empobrecida, e muitos entraram na parte de drogas e prostituição, isso é uma preocupação social do produtor rural pantaneiro. Essas colônias eram produtivas na década de 70, vendiam seus produtos em Corumbá, e agora quando mudaram para a cidade entraram na marginalidade.

O quadro de sócios atende às metas do Sindicato?
O Sindicato conta com 250 associados, só que a planície pantaneira possui hoje 2 mil propriedades. Estamos tentando aumentar o número de associados desde 2013, mostrando todos os benefícios proporcionados pelo Sindicato. Houve aumento de sócios nos dois últimos anos. Para entrar de sócio basta ser produtor rural e pagar uma taxa mínima de 50 reais mensais. E isso ajuda a classe a se manter unida.

Quais os planos para a Feapan de 2017?
Coma mudança de governo, teremos uma reunião com novo prefeito e secretários, até para poder traçar o que será a Feapan (Feira Agropecuária do Pantanal). Quem colocou a Feapan dentro do calendário do aniversário da cidade foi o Ruiter no seu primeiro ano de mandato, mas isso foi mudado. E agora podemos voltar a integrar o calendário da cidade, com a parceria da Prefeitura. O Sindicato chegou a ficar 15 anos sem ter uma exposição até que o Ruiter promoveu seu retorno. Shows, cursos gratuitos fazem parte da feira. Trouxemos pequenos produtores para dentro da feira, hoje não estamos agregando apenas o grande produtor, mas também o pequeno e o médio produtor rural.