Política

Luciano Costa diz que “povo tem que tomar as ruas e dizer não à Reforma da Previdência”

Fonte: Da Assessoria CMC em 25 de Março de 2017

Divulgação/CMC

O vereador Luciano Costa (PT) fez um pronunciamento na última sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Corumbá e teceu severas críticas ao Governo, grandes empresários, banqueiros e até mesmo a órgãos da grande imprensa brasileira, em relação à Reforma da Previdência. Na sua opinião, caso a matéria seja aprovada como deseja o Governo, "o brasileiro vai trabalhar até morrer sem conquistar o seu direito de aposentadoria".

"Falam que a Previdência dá prejuízo, que há um rombo na Previdência. Isso é uma mentira, em 2014, por exemplo, o lucro foi de R$ 54 bilhões", comentou. "A Seguridade Social dá lucro e não prejuízo", continuou, solicitando que todos reflitam sobre os aposentados, "quantos você conhece, qual o valor da aposentadoria deles, e se ele consegue viver bem apenas com o valor do benefício?".

Nas pesquisas realizadas, Luciano Costa disse ter chegado à conclusão que "dá para perceber facilmente que há muito mais pessoas na ativa, trabalhando", e que "os aposentados recebem muito menos que os que estão trabalhando. Por que então dizem que há um rombo na Previdência?", indagou.

O vereador salienta que o "Governo, TV, empresários e banqueiros estão mentindo", e que a Seguridade Social dá lucro. "A Previdência faz parte do orçamento da Seguridade Social que inclui a Saúde e Assistência Social, e recebe recursos de diversos impostos, além da contribuição ao INSS dos trabalhadores e patrões. Em 2014, a soma total ficou em R$ 686 bilhões. Arrecadamos isso e os gastos foram R$ 632 bilhões, um lucro de R$ 54 bilhões".

"Onde foi parar este lucro?", perguntou, para em seguida afirmar que o dinheiro foi retirado da Seguridade Social e "destinado para o superávit primário, ou seja, pagar a dívida pública aos banqueiros. Isso é o Governo tirando dos pobres para pagar os ricos, e o verdadeiro objetivo dessa reforma é economizar ainda mais para pagar os banqueiros".

Expectativa de vida
Luciano citou ainda o fato do Governo alegar que a expectativa de vida do brasileiro, conforme pesquisas, subiu para 75,5 anos. Conforme ele, esta é uma justificativa para aplicar a reforma e que com a subida da expectativa de vida, seria impossível manter as atuais regras da Previdência.

"Só que essa expectativa de vida é apenas uma média de toda a população, que inclui os ricos. O IBGE não divulga a expectativa de vida de acordo com a classe social (por que será?), mas, certamente, a expectativa de vida entre os mais pobres é bem inferior a essa média", observa. "Estudos realizados nos Estados Unidos sugerem que a diferença na expectativa de vida entre ricos e pobres pode chegar a 11 anos", complementa.

E é por isso que o vereador acredita que a maioria da população brasileira vai morrer antes de conseguir se aposentar, caso a Reforma da Previdência seja aprovada conforme o que deseja o Governo. "Na melhor das hipóteses vamos chegar aos 65 anos com 45, 50 anos trabalhados, para termos um ou dois anos de aposentadoria", lamenta.

Reforma machista
O vereador petista, durante seu discurso, afirmou que a reforma proposta pelo Governo é machista. "Qualquer ataque aos direitos dos trabalhadores afeta mais as mulheres, ainda mais as mulheres negras. Mas essa reforma proposta ainda é pior. Ela é diretamente machista, propõe igualar a idade e o tempo de contribuição de aposentadoria para homens e mulheres, como se o machismo tivesse deixado de existir, como se não existisse mais dupla, tripla, quadrupla jornada de trabalho para as mulheres. Na verdade, a situação está ainda pior: muitas mulheres além de trabalhar, cuidar dos filhos e da casa, ainda estudam para buscar manter seus empregos ou buscar salários melhores".

Luciano questionou ainda o valor das aposentadorias que será ainda menor. É que para conseguir uma aposentadoria de 100% do salário de benefício, o trabalhador terá que ter 49 anos de trabalho, e teria que começar a contribuir com 16 e chegar aos 65 anos sem parar, algo praticamente impossível".

Outro assunto lembrado é que com a reforma, a pensão por morte deixará de ser 100%, caindo para 50% para a viúva, com 10% para cada dependente. "É mais um grave ataque aos beneficiários da Previdência. Com isso o trabalhador nem sequer poderá morrer em paz, pois sua família sofrerá um duro corte na renda familiar. Por esses motivos e muito mais, temos que dizer não à Reforma da Previdência e tomar as ruas para barrar mais esse ataque do Governo Temer", concluiu.