Política

Duda Mendonça diz à Justiça que Paulo Skaf usou dinheiro sujo

Fonte: Correio do Brasil em 06 de Abril de 2017

O publicitário Duda Mendonça, que fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF), informou aos investigadores que recebeu por meio de caixa 2 na campanha ao governo de São Paulo, em 2014. O candidato, atual presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), Paulo Skaf, teria usado dinheiro sujo para custear as despesas de campanha. Trata-se de um dos principais aliados políticos e do mesmo partido do presidente de facto, Michel Temer (PMDB).

Mendonça, várias vezes citado em delações premiadas de executivos da empreiteira Odebrecht por receber recursos não contabilizados em campanhas eleitorais, não negou o ilícito na campanha de Skaf. Como sua delação cita também autoridades com foro privilegiado, as acusações feitas pelo publicitário foram remetidas ao STF. Caberá ao ministro Edson Fachin decidir se homologa, ou não, as declarações feitas por ele.

Dinheiro sujo
Em um trecho de sua delação, o publicitário disse aos policiais que parte dos recursos recebidos ao longo da campanha de Skaf foi repassado em dinheiro vivo, de procedência duvidosa. Ele afirmou que o acerto de contas, segundo apurou a agência inglesa de notícias Reuters com uma fonte da PF, teria sido feito pela Odebrecht.

Em nota, a assessoria de imprensa de Skaf disse que todas as doações recebidas pela campanha dele ao governo paulista estão ˜"devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo. Paulo Skaf nunca pediu e nem autorizou ninguém a pedir qualquer contribuição de campanha que não as regularmente declaradas".

Representante da ultradireita, no país, Skaf terminou aquela disputa eleitoral em segundo lugar. Na ocasião foi reeleito em primeiro turno o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O presidente da Fiesp representa o meio empresarial e, no ano passado, apoiou o golpe de Estado que cassou a presidenta Dilma Rousseff.

Delação premiada
O marqueteiro Duda Mendonça atuou na primeira campanha vitoriosa do PT ao Palácio do Planalto, em 2002. Na época, elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Três anos depois, durante o ‘mensalão', confessou durante uma CPI do Congresso ter recebido caixa 2 no exterior. Disse ter sido como pagamento pela campanha de Lula. Em 2012, entretanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu-o. Tanto dos crimes de lavagem de dinheiro quanto evasão de divisas no julgamento da Ação Penal 470.

Por meio de advogados, Mendonça tentou, desde o ano passado, fazer delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Mas as negociações não avançaram. Os defensores dele decidiram, então, procurar a Polícia Federal em Brasília para que ele confessasse crimes. A PGR preferiu não se pronunciar.

Esta semana, Fachin homologou as delações premiadas do casal de marqueteiros Mônica Moura e João Santana. Deles e de um funcionário do casal, André Santana. Eles trabalharam nas campanhas à reeleição de Lula em 2006 e com Dilma Rousseff, em 2010 e de 2014.