Cultura

Moinho celebra 99 anos de Agripino, mestre da viola de cocho

Fonte: Assessoria Moinho em 09 de Junho de 2017

Silvia emociona-se durante homenagem ao avô Agripino no Moinho.

Divulgação/Moinho

Oficina de Viola de Cocho Agripino Soares. Por motivos muito justos a sala especial que transmite a crianças, adolescentes e jovens os ensinamentos sobre a viola de cocho no Instituto Moinho Cultural Sul-Americano leva o nome do mestre cururueiro, vencedor do Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura.

Graças principalmente a Agripino, o instrumento confeccionado artesanalmente está registrado desde 2005 como patrimônio imaterial no Livro de Saberes do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Nesta quinta, 8 de junho, ao completar 99 anos, Agripino Soares de Magalhães, nascido no ano de 1918, ganhou uma festa completa na sede do Moinho Cultural, no Porto Geral, ao lado de crianças que cantaram e dançaram o cururu e o siriri e viram-no tocar a viola de cocho antes de saborearem um bolo de chocolate.

Ele ganhou homenagem do grupo de dança do Moinho e da Fundação de Cultura de Ladário, e recebeu abraços especiais da neta Silvia Magalhães, pedagoga que participa do apoio escolar no Moinho, e da bisneta Luiza, entre outros admiradores.

"Uma festa digna a quem dedica sua vida à arte e compartilha seus saberes com a nova geração", ressaltou a diretora executiva do Moinho, Márcia Rolon. "Ele faz parte da vida do Moinho", acrescentou.

Bolo de chocolate, cururu e siriri animaram a festa do mestre cururueiro.

Pantaneiro de Várzea Grande, Mato Grosso, aposentado como estivador (trabalhador responsável pelo transporte de cargas em navios), Agripino vive no bairro Cervejaria ao lado da esposa Maria Madalena Magalhães, de 88 anos. Neste mês ele comemorou com ela 70 anos de um casamento que lhe deu 12 filhos e mais de 30 netos e bisnetos.

"Comecei a tocar viola de cocho quando tinha dez anos e fiz mais de 300 violas", contou Agripino, que entrou e saiu do Moinho da mesma forma: caminhando serenamente, com seu chapéu de palha, o lenço vermelho sobre o pescoço e a viola sobre o ombro. Com uma história de vida que ajuda a marcar a identidade da cultura pantaneira.

O Moinho mantém 280 participantes em aulas de música, dança, apoio escolar, educação ambiental, cidadania e tecnologia no contraturno escolar, e conta com patrocínio master da Vale, patrocínio da Cielo e BrazilFundation, parceria da J. Macedo, e tem como parceiros institucionais as Prefeituras de Corumbá, de Ladário e de Puerto Suarez, Bolívia.