Agronegócios

Sindicato critica ecologistas e cobra o reconhecimento do Pantanal agro

Fonte: Assessoria de Imprensa em 03 de Outubro de 2017

Ao fazer um balanço das comercializações na Feapan (Feira Agropecuária do Pantanal), realizada de 20 a 24 de setembro, o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Aguilar Leite, disse que é inequívoca a contribuição da planície na balança comercial do Estado, sustentada pelo agronegócio, e cobrou políticas públicas para expandir a pecuária na região e eliminar algumas amarras, como restrições impostas por setores ambientalistas.

Há mais de 250 anos convivendo em harmonia com a natureza, a criação de gado no Pantanal hoje se destaca no contexto produtivo brasileiro, contudo, segundo o dirigente ruralista, os pantaneiros enfrentam uma luta desigual "diante de obstáculos colocados em nossos caminhos historicamente". Ele citou campanhas arquitetadas por organizações ambientais e a omissão do poder público em questões fundamentais, como a recuperação do Rio Taquari.

Isolamento implacável
"De um lado, temos a natureza, que determina os limites da nossa atividade; na outra ponta, a ausência de políticas públicas, que criem mecanismos para o nosso desenvolvimento", apontou Luciano Leite. Ele citou que o pantaneiro estaria fadado ao isolamento se prevalece o argumento de ambientalistas, sem nenhum suporte científico, segundo o qual construir estradas destruiria o Pantanal, ecossistema hoje com 87% de sua área preservada.

Luciano apontou ainda como desafios enfrentados pela pecuária as pressões para não dragar os rios assoreados ou substituir as pastagens nativas pelo cultivo, que representam um ganho extraordinário na planície sem afetar o meio ambiente. "Não deveríamos ter energia elétrica, porque a rede mataria os tuiuiús, e tão pouco o gasoduto (Bolívia-Brasil), que acabaria com a nossa fauna e flora. Nem o minério poderíamos explorar, pois poluiria nossas águas", criticou.

"Queriam nos prender ao passado para que os pseudos protetores do Pantanal pudessem nos ver em carros de boi, em canoas, em lombo de burro, nas rocinhas de subsistência, para nos exigir em vídeos pelo mundo a fora como um povo sem visão, sem perspectivas", disse ele.

Discurso radical
A vocação e as potencialidades do Pantanal para a exploração pecuária - Corumbá, maior município do bioma, tem o segundo rebanho de bovinos do país, com 1,8 milhão de cabeças -, na opinião do presidente do sindicato, exigem ações pontuais do poder público. "Não se compreende mais, no século 21, convivermos numa região sem comunicação e energia elétrica", disse, apontando que estes investimentos também beneficiariam o turismo.

"Necessário se faz assumirmos o Pantanal agro, sem hipocrisias e radicalismos, para que aqueles que o preservaram aqui permaneçam com o espírito conservador que sempre se fez presente em suas vidas", cobrou o dirigente. "O Pantanal é belo, é verdade, o Pantanal possui fauna e flora que encantam o mundo, mas, só a mais resistente cegueira não permite que se enxergue o Pantanal agro. O Pantanal precisa ser libertado do discurso ambientalista radical."

Luciano Leite destacou a decisão do Governo do Estado de abrir estradas de penetração na região, permitindo escoamento do gado, mas lembrou que o Pantanal precisa de energia e telefonia móvel e também de segurança para combater o abigeato (furto de gado). Sem comunicação, segundo ele, não tem como atender a uma nova norma do Ministério da Defesa, que exige plano de voo em solo para pequenos aviões, um dos meios de acesso ao Pantanal.