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Nos Trilhos da Vida - Com destino a Duque Estrada

Fonte: Dílson Fonseca em 29 de Outubro de 2017

Vou relatar uma verdadeira aventura que foi essa viagem de trem com destino a Duque Estrada, uma região do município de Miranda. O condutor com o seu apito avisa ao maquinista que já são 8 horas e que o trem já tem que partir e se ouve o barulho ensurdecedor da máquina, sendo dois apitos sequenciais e o trem de forma lenta começa a deixar a nossa estação. É nesse momento que os corações dos pantaneiros parecem saltar pela boca. "Enquanto esse velho trem atravessa o Pantanal".

A nossa caravana era composta por várias pessoas que iriam fazer uma apresentação de capoeira naquela região, mais precisamente em um lugarejo conhecido como "Paxixi". E para economizar compramos passagem de Corumbá a Miranda, mas o destino era Duque Estrada, uma estação a frente. E assim partimos: o velho trem chega a estação de Urucum, onde até os dias atuais se encontra o nosso amigo ferroviário Carlos de Aquino Correa da Costa o Zanata e sua família. Estação que foi inaugurada em 1952, onde tinha na época uma caixa d´água imensa com água cristalina que era um dos atrativos daquela região. A parada era de 1 minuto e logo o chefe da estação dava a ordem pra sair e a próxima parada era a estação de Antônio Maria Coelho. A próxima estação é a de Generoso Ponce que foi inaugurada em 1959. Em 1960 aparece como km 1298. O nome Generoso Ponce surge entre 1966 e 1969, em 1970 já se utiliza esse nome em todos os guias. A estação de Albuquerque foi inaugurada em 1952, no trecho aberto entre as estações de Carandazal e Corumbá. E a estação de Agente Inocêncio, foi inaugurada em 1941. Como muitas das estações do trecho entre Campo Grande e Porto Esperança, por muito tempo a estação não dispôs de água potável, obrigando a NOB a deslocar semanalmente uma composição de vagões pipa para abastecimento do pátio. O posto do km 1250 também chamado de Chave do km 1250, foi inaugurado em 1941. O seu nome, diferente da quilometragem em 1941, o seu nome diferente da quilometragem em 1959, se deve a quilometragem inicial da ferrovia. Partimos e chegamos a estação de Carandazal foi inaugurada em 1912. Já o posto do km 1229, foi inaugurada em 21 de janeiro de 1947. Seu nome se deve à quilometragem inicial da ferrovia antes das retificações, que era diferente da quilometragem em 1959. O prédio do posto foi construído em madeira (talvez igual aos outros postos telegráficos), sendo vários outros construídos nessa época, em 1979 o prédio seguia bem conservado na lateral da linha. A estação de Bodoquena foi inaugurada em 1912, já a estação de Porto Carreiro foi inaugurada em 1929, como muitas das estações do trecho entre Campo Grande e Porto Esperança, por mais tempo a estação não dispôs de água potável, obrigando a NOB a deslocar também semanalmente uma composição de vagões pipa para abastecimento. A estação de Guaicurus foi inaugurada em 31 de dezembro de 1912, por muito tempo a estação não dispôs de água potável, obrigando a NOB a deslocar semanalmente uma composição de vagões pipa para abastecimento. Em 2004 estava servindo de moradia para os índios Kadiwéus. A estação de Coronel Juvêncio foi inaugurada em 01 de junho de 1935. A estação já existia como posto telegráfico com nome de Posto do km 1154. A estação de Salobra foi inaugurada em 31 de dezembro de 1912, mas sem "R" (Saloba). É um povoado com 98 famílias, tendo como atração a ponte ferroviária sobre o rio Miranda, de ferro, de 1931.

Enfim chegamos a Estação Ferroviária de Miranda foi uma construção destinada a embarque ou desembarque de passageiros de trem e, secundariamente, ao carregamento e descarregamento de carga transportada. Usualmente consistia em um edifício para passageiros (e possivelmente para cargas também), além de outras instalações associadas ao funcionamento da ferrovia. A estação de Miranda foi inaugurado em 31 de dezembro de 1912. Dois anos depois, quando houve a junção de dois trechos, de Água Clara e Pedro Celestino, a estação já funcionava no trecho isolado e acabou sendo reinaugurada. Faz parte da linha E. F. Itapura-Corumbá, que foi aberta também a partir de 1912. Apesar disso, por dificuldades técnicas e financeiras, havia cerca de 200 km de trilhos para serem finalizados (trechos Jupiá-Água Clara e Pedro Celestino-Porto Esperança), fato que ocorreu apenas em outubro de 1914. Em 1917 a ferrovia é fundida no trecho da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que fazia o trecho paulista Bauru-Itapura. (Entre Campo Grande e Corumbá). Mas o nosso destino era Duque Estrada, porém o condutor percebeu e mandou que comprássemos passagem até o destino ou senão seríamos obrigado a descer em Miranda. Enfim tivemos que comprar a passagem.

Chegamos no destino e descemos na pequena estação de Duque Estrada, onde já estava nos esperando o então já falecido tio Neca (Leonel Pinheiro), na época Vereador e seus amigos, destacando o Boni (Bonifácio) que era o responsável pelo esporte na região. Enfim chegamos e deu tudo certo, e mais uma vez o trem foi o grande responsável em levar o nosso pessoal até Duque Estrada. Ai mais uma vez vem o peito que não cansa de dizer que saudade do trem.