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Nos Trilhos da Vida - JULIO CÉZAR FRIAS

Fonte: Dílson Fonseca em 12 de Novembro de 2017

Dílson Fonseca

Nos Trilhos da Vida dessa semana, vamos conversar com um ferroviário boliviano, que trabalhava na Estação de Corumbá, do lado boliviano, pois naquela época áurea da ferrovia a aqui, a estação era dividida em dois lados o brasileiro e o boliviano.

Júlio Cézar Frias, viúvo, 66 anos, pai de um casal de filhos, com 3 netos, sendo 2 meninos e 1 menina. Conversamos com o mesmo no comércio do senhor Luiz e dona "Joia", assíduos leitores do nosso semanário.

O senhor Júlio era encarregado de intercâmbio na parte boliviana, e começou lembrando dos antigos companheiros do lado brasileiro, Walfrido Victorino (já falecido), do Napoleão Ramos, Cézar. No depósito das máquinas ele se lembrou do Heleno Felicidade, do senhor Natanael (Branca de Neve, falecido recentemente), que conheceu anteriormente na Bolívia. Sua função era mexer com a papelada, onde chegava a documentação do Brasil ele encaminhava para Bolívia, tudo passava pelas suas mãos, na parte brasileira o encarregado era o Ermínio que hoje se encontra em Campo Grande. Tinha uma boa convivência com os brasileiros, "brincavam". Inclusive com o finado Trajano quando não tinha condutor do trem de Quijarro eles mesmo tinham a função de levar esse trem. A empresa que ele trabalhava era a estatal Empresa Nacional de Ferrocarrilho que foi privatizada na mesma época da privatização da RFFSA, porém na Bolívia mesmo com a privatização é mantido o trem de passageiro 3 vezes na semana. O nosso ferroviário se aposentou pela Bolívia após 22 anos de serviço.

O nosso amigo lembra de um fato pitoresco que aconteceu com ele. Um comboio de trem vindo de Quijarro, ele na época ainda não tinha sido promovido a fiscal era ainda telegrafista, era novo ainda. Onde eles andaram tomando umas cervejinhas a mais, ele, o finado Trajano e o maquinista. Porém o maquinista estava bem "mais alterado", com isso o trem veio a desencarrilhar na entrada de Corumbá, onde é a AGESA atualmente. Naquela época não tinha nada ali. O comboio era bem grande, "(...) quando eu olhei o comboio estava caindo igual a um baralho, naquele momento eu pulei, porém 8 vagões tombaram. Ai os "caras" vinham me procurando, achando que eu tinha morrido, Trajano gritava: Julinho, Julinho, Julinho... pelo amor de Deus e chorava. Ele estava do outro lado e descia e eu subia. Eu escutei a voz dele e disse Trajano o que foi? Por que está chorando? Ai ele gritou Julinho ta vivo, ta vivo..."

O nosso amigo hoje, menciona o abandono que encontra a estação atualmente, onde no passado não muito distante, tudo era organizado, limpo, o movimento intenso de cargas e passageiros. Hoje só mato, sem luz, enfim tudo abandonado. Lembra ainda da litorina, do trem de passageiro e se lembrou de mais dois colegas da época, Modesto Vieira (já falecido) e Hélinho, que faziam a manutenção e limpeza das litorinas. Hoje tudo acabado. E termina a sua fala com a seguinte frase: "(...) eu acho que aqui em Corumbá o trem de passageiro nunca mais volta..."