Política

Corrupção de Marun, por uma "boa causa", é tolerada pelos moralistas

Fonte: Brasil 247 em 27 de Dezembro de 2017

Indicado por Eduardo Cunha para ser o articulador político de Michel Temer, o ministro Carlos Marun admitiu que usa um banco público, a Caixa Econômica Federal, para chantagear governadores e arrancar votos pela reforma da Previdência; como esta mudança nas aposentadorias é a principal causa econômica do golpe de 2016, não se ouviu um pio de procuradores como Deltan Dallagnol ou dos colunistas que empunharam bandeiras morais para derrubar a presidente Dilma Rousseff; ou seja: corromper para meter a mão nas pensões dos trabalhadores está liberado.

No dia em que apresentou seu famoso power point, o procurador Deltan Dallagnol afirmou que o Brasil tinha uma "governabilidade corrompida". Ou seja: para conseguir votos no Congresso, os presidentes eram obrigados a comprar apoio parlamentar distribuindo cargos em empresas estatais.

Ontem, a governabilidade corrompida brasileira se mostrou ao mundo de forma putrefata. O articulador político de Michel Temer, ministro Carlos Marun, indicado por Eduardo Cunha para o cargo, confessou que usa um banco público, a Caixa Econômica Federal, para chantagear governadores. Na lógica de Marun, só recebe empréstimo da Caixa o governador que for capaz de arregimentar seus deputados para conseguir alguns votos para a reforma da Previdência.

Corrupção na veia
No entanto, a corrupção de Marun é ignorada por colunistas da chamada grande imprensa e por procuradores da Lava Jato.

O motivo? Ela seria a "corrupção do bem". Marun chantageia governadores e usa um banco público de forma espúria porque seu objetivo seria nobre: meter a mão nas aposentadorias dos trabalhadores brasileiros. Afinal, a reforma da Previdência é a maior bandeira do golpe de 2016 - um golpe que só foi possível graças à manipulação promovida pela imprensa com auxílio dos vazamentos seletivos da Lava Jato.

A "governabilidade corrompida" dos 13 anos de governos populares ajudou a tirar 40 milhões de brasileiros da pobreza, mas isso não vem ao caso.