Política

Marum insiste na ‘chantagem’ e pressiona governadores a votar na reforma da Previdência

Fonte: Correio do Brasil, com ABr – de Brasília em 29 de Dezembro de 2017

Marum, na Câmara, foi um dos maiores defensores do hoje presidiário Eduardo Cunha (MDB-RJ).

Não bastou a carta dos governadores dos Estados do Nordeste ao presidente de facto, Michel Temer. Mesmo taxado de ‘chantagista', o chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marum, voltou a afirmar, nesta sexta-feira, que manterá a exigência de apoio à reforma da Previdência, juntos às bancadas estaduais, em troca de empréstimos na Caixa Econômica Federal (CEF).

Marum, em conversa com jornalistas após solenidade no Palácio do Planalto, foi adiante. Disse que não abrirá mão de pedir apoio à reforma previdenciária para todos os agentes públicos; e não apenas aos governadores. Em seguida, o deputado emedebista licenciado desconversou. Disse que não condicionou a liberação financiamentos em bancos públicos para os governadores; ao comprometimento deles na busca de votos para aprovar a reforma.

- A verdade é que não está sendo condicionado, mas também é verdade que não vamos abrir mão de pleitear o apoio dos agentes públicos e; especialmente, daqueles que estão sendo beneficiados por ações do governo - emendou.

Cartilha
O assessor de Temer participou de cerimônia de assinatura da liberação de R$ 951,26 milhões em empréstimos da Caixa a companhias estaduais de saneamento do Espírito Santo; Pernambuco, Goiás e Rio Grande do Sul.

Mais adiante, deixou clara sua intenção. Disse que não segue a cartilha do "politicamente correto".

- Nessa cartilha, não cabe muitas vezes a verdade; a necessidade de se falar em gratidão. Mas cabe a hipocrisia e mentira - ameaçou.

‘Mentira'
Na tentativa de mudar a direção dos fatos, Marum comparou a "nazistas" quem estaria propagando "mentiras" sobre seu discurso; relacionando-o à chantagem da troca de votos por benesses públicas.

- É como o nazismo em que uma mentira que se repete à exaustão e se transforma em verdade - diz ele sem, efetivamente, contraditar seus acusadores.

Para o ministro foram propagadas duas mentiras. Uma delas seria a negação de que a Caixa tem como razão de existência a sua missão de "conduzir e executar políticas públicas".

- É mentira que a Caixa não existe para isso - disse, ao lado do presidente da instituição financeira, Gilberto Occhi.

Desafio
Outra mentira, segundo o parlamentar afastado para ocupar um cargo na equipe do Palácio do Planalto, é que se estaria condicionando "apoio a reforma da Previdência a qualquer ação governamental".

O coordenador político do governo chegou a desafiar quem possa encontrar em sua fala qualquer chantagem.

- Não vão achar - disse, sem se referir à carta dos governadores