Política

Aécio Neves usava Justiça mineira para calar a imprensa sobre crimes

Fonte: Correio do Brasil em 19 de Janeiro de 2018

O jornalista Marco Aurelio Carone sofreu intensa perseguição da Justiça mineira; a mando de Aécio Neves, segundo denuncia.

Arquivos de jornal de Belo Horizonte desaparecem, após confiscados pela Polícia Civil, segundo denuncia publicada, em primeira mão, no Correio do Brasil. Aécio Neves seria o mentor da repressão ao jornal.

Uma nova repercussão de supostos crimes cometidos por integrantes do grupo político liderado, em Minas Gerais, pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) ganhou as redes sociais, nesta sexta-feira. Reportagem do jornalista Joaquim Carvalho, do site Diário do Centro do Mundo (DCM), impulsiona a série de denúncia sobre o escândalo, já publicadas no Correio do Brasil desde 2014.

"O Novo Jornal, site na internet com estrutura minúscula e audiência gigantesca, foi alvo de tantas investidas do grupo ligado a Aécio que seu proprietário acabou preso", afirma Carvalho. Ainda segundo o jornalista, "os arquivos do jornal desapareceram; depois de serem confiscados pela Polícia Civil, com autorização da Justiça e anuência do Ministério Público do Estado".

A denúncia da perseguição ao jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone, diretor de Redação do Novo Jornal, que divulgou a Lista de Furnas, foi divulgada, em primeira mão, em reportagem exclusiva do CdB. Carone visitou a redação do Correio do Brasil, pouco antes de ser preso.

Censura
"Enquanto a velha imprensa de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, apresentavam Aécio como estadista, probo e moderno, o Novo Jornal denunciava as falcatruas ocorrida no Estado", afirma Carvalho, em sua reportagem no DCM.

Segundo Carvalho, o veículo denunciou várias ações suspeitas de Codemig, presidida por Oswaldo Borges, "inclusive relacionadas à Cidade Administrativa, quando ainda não havia nem os alicerces da obra". Carvalho acrescenta que, "em vez de investigar o que Carone e o jornalista Geraldo Elísio, editor do Novo Jornal, denunciaram; a Justiça proibiu o site de publicar notícias relacionadas à Codemig. E ordenou que tudo o que havia sido publicado fosse retirado do ar".

"É o que se pode ver no processo 13.042.227-2, na 5a. Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte. Em abril de 2013, quando (Operação) Lava Jato era apenas sinônimo de uma empresa de limpeza de automóveis, o juiz Adriano de Mesquita Carneiro atendeu a um pedido da empresa, presidida por Oswaldo; e censurou o Novo Jornal".

Cadeia
Carvalho citou a sentença judicial:
"Determino que Marco Aurélio Flores Carone e Nova Opção Ltda. (empresa proprietária do site) retirem do site www.novojornal.com, bem como de todos os outros com os quais tenham gerência; administração ou poder de interferir, de alguma forma' todas as matérias que envolvam o nome da Codemig, citadas ou não'".

"Se a liberdade (e a verdadeira Justiça) tivesse prevalecido, quem deveria ter ido para a cadeia era o presidente da Codemig, Oswaldo Borges, não o dono do jornal que ele denunciou", acrescentou o jornalista.

Censura
Deputado estadual petista, Rogério Correia (MG) também chamou a atenção da Corregedoria do Judiciário mineiro para a seletividade em relação às condenações de políticos.

"Será que a famosa impunidade contra tucanos vai acabar? Lembrando que, com Aécio, faltam convicções, mas sobram provas, todas gravadas em áudio e vídeo", escreveu o parlamentar em sua conta no Facebook.

"O cerco vai se fechando contra Aécio e seus aliados. A PF pediu cópias de registros de entrada e saída de endereços ligados a um de seus operadores; o empresário Oswaldo Borges. Ele é apontado por delatores como operador do recebimento de caixa 2 de campanhas do senador", disse. "Como sempre lembramos, ‘Onde tem rolo tem Aécio, onde tem Aécio tem rolo!", acrescentou.

Cidade do Aécio
Após a Polícia Federal pedir cópias de registros de entrada e saída de endereços ligados a um de seus operadores, o empresário Oswaldo Borges; apontado por delatores da Lava Jato como operador do recebimento de caixa 2 de campanhas do senador.

Borges comandou a licitação da Cidade Administrativa e; de acordo com um delator da Odebrecht, teria cobrado e recebido dinheiro de propina e caixa 2. Os recursos seriam em favor de Aécio Neves e seu grupo político. O esquema envolveria pagamento de pelo menos R$ 5,2 milhões para o tucano.