Polícia

Polícia Civil apura denúncia de eutanásia no Hospital Regional de Campo Grande

Fonte: Rodson Willyams/TopMídiaNews em 27 de Janeiro de 2018

Suspeita é que aparelhos foram desligados e polícia quer saber motivo de medicação suspensa.

A família de Neuraci Vieira, 64 anos, que estava internada no Hospital Regional desde 11 de novembro do ano passado após ter contraído pneumonia, registrou, neste sábado (27), na Depac Piratininga, caso de homicídio qualificado por suspeita de eutanásia supostamente praticado pela equipe médica do CTI da unidade hospitalar.

Patrícia Vieira Caminha, 30 anos, grávida de dois meses, relatou que a mãe faleceu na noite de ontem (26), após contrair uma superbactéria adquirida no hospital e ter o quadro de saúde agravado evoluindo para uma infecção generalizada. O caso teria piorado, depois que os médicos decidiram ter suspender a medicação e a hemodiálise para que a paciente tivesse uma 'morte digna'.

"Eles só voltaram com a medicação depois que a Associação de Erros Médicos interferiu. Eles não cuidam do paciente e trataram a minha mãe com descaso. Uma das médicas disse que a Lei permite que fizessem isso, a eutanásia. Eles mataram a minha mãe. Sedaram ela, mas depois disseram que ela que teria entrado em coma", relata.

Liberação do Corpo
Após a morte da mãe, ocorrida por volta das 19h30 de ontem,a família foi impedida de ter acesso ao corpo da mãe, que só foi liberado por volta das 12 horas para ser encaminhado para a Depac Piratininga. E só chegou ao IMOL por volta das 15 horas, depois de 24 horas de espera.

"Eles queriam fazer o exame de necropsia no hospital. Mas fomos orientados a não fazer no hospital e queríamos que fizesse no IMOL. Depois que falamos isso, a médica não me deu um dos papéis necessários para liberar o corpo. Tive que ligar para o 190 e só liberam depois de nova interferência da Associação", conta Nilo Barem Caminha Neto, 29 anos, filho da vítima.

"Elas são bem debochadas, chegaram a perguntar pra mim se eu tinha internet em casa para pesquisar sobre o assunto", diz Nilo. Patrícia contou que chegou a ouvir de funcionários do Hospital, que após a divulgação da matéria sobre o caso feita pelo TopMidiaNews, "a Dra. Luciana disse que não falaria mais com a gente. Disse que estava com nojo da cara da gente e que não pisaria mais aonde a minha mãe estava", relata.

Mais denúncia
Os descasos não parou por aí. "A médica chegou a gritar dentro do CTI ao lado leito da minha mãe. Disse que acima dela, só ela mesma que mandava no local. E desde então, não passaram mais informações para a gente. Antes de morrer, quando a minha estava bem, ela quis contar algo mais não conseguiu por conta da traqueostomia, ela só apontava para o balcão das enfermagem", relata Patrícia.

Valdemar Moraes de Souza, presidente da Associação de Vítimas dos Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, afirmou que está acompanhando o caso e auxiliou à família na delegacia. O presidente também já havia denunciado o caso no Ministério Público Estadual e flagrou um dos aparelhos desligados.

Polícia
A reportagem entrou em contato com o delegado Cleverson dos Santos, da Depac Piratininga, que apura o caso, e afirmou que um boletim de ocorrência foi lavrado como homicídio qualificado, devido a suspeita de eutanásia. "Nós vamos ouvir todos os envolvidos, os médicos e enfermeiros e demais funcionários do hospital. Eutanásia no Brasil é crime e em uma eventual condenação, o crime pode ser de 12 a 30 anos, se ficar comprovado. Vamos continuar investigando o caso", finaliza.