Política

Churrasco no tríplex que condenou Lula já reúne 57 mil confirmações

Fonte: Correio do Brasil em 27 de Janeiro de 2018

Evento marcado para a semana que vem, em uma rede social, tem mais de 140 mil pessoas interessadas. Muitos garantem que levarão “uma cachacinha”.

Um grupo de internautas resolveu protestar contra a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de maneira inusitada. Os organizadores marcaram um encontro, em frente ao prédio onde situa-se o tríplex que, segundo o juiz Sérgio Moro, em Primeira Instância, e o Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-IV); teria sido doado ao líder nas pesquisas de opinião para as eleições deste ano, como parte de um esquema de corrupção. Nenhuma prova de que o imóvel pertenceria, de fato, ao ex-presidente, foi apresentada durante o processo.

No Facebook, o ‘Churras no Tríplex', como foi batizado o evento, tem 57 mil confirmações e mais 144 mil interessados. "Se o triplex é do Lula, então o triplex é do povo! Traga sua cervejinha gelada, uma cachacinha e venha protestar com os compas no churras de inauguração do apartamento novo do Lula! Afinal, os novos vizinhos do presidente precisam conhecer os amigos dele!", dizem os organizadores.

Fato jurídico
Ainda segundo os militantes, "quem quiser trazer seu instrumento pra gente improvisar um pagodão, será bem vindo!". A internauta Rosane de Souza, que confirmou presença no evento, compara o julgamento de Lula ao caso do Banestado.

"Oops ñ...lá teve tráfico de influência, obséquios e muito dinheiro nas Ilhas Cayman... Mas o juiz responsável pelo caso é filho de um dos fundadores do PSDB na sua região e mandou arquivar o processo... E houve prova de ‘tráfico de influência'? Não, apenas muita ‘convicção'... E convicção virou fato jurídico? Não no mundo civilizado", afirma.

O julgamento de Lula; além de manifestações de protesto por todo o país, também foi alvo de artigos em série pela mídia brasileira independente. No texto intitulado "Lula, enfim, se libertou", assinado pelo consultor Jeter Gomes, engenheiro mecânico, poeta e mestre em Educação, "o dia 24 de janeiro de 2018 ficará marcado na história como o dia em que Lula se libertou".

‘Voa, Lula, voa'
"Acabou a apreensão, o nervosismo da expectativa de um possível julgamento justo. O que se viu em Porto Alegre, durante horas e horas de sessão, foi a confirmação de que o Judiciário brasileiro não tem o menor pudor em assumir diante das câmeras que tem um lado: o das elites brancas, escravocratas e raivosas. Longuíssimas leituras e discursos políticos dos magistrados e nem uma migalha de provas da culpabilidade do ex-presidente da República", afirmou.

Ainda segundo Gomes, "como os inquisidores nada conseguiram provar, mostraram para seus patrões da mídia e do ‘Kapital' que são ainda mais cruéis do que o ‘TorqueMoro' e aumentaram a pena. Tramando a confirmação do crime, vilipendiaram as leis, a Constituição; o Estado Democrático de Direito. Com punhos de renda, prestaram contas ao rentismo. Com inteligência média, ganharam as manchetes da mídia. E voltaram pra suas casas com as mãos sujas dos carrascos".

"Contam que depois da sentença, pré-anunciada pela crônica, ouviu-se Lula declamando os versos do gaúcho (talvez uma homenagem à cidade que o abraçou e o fez mártir) Mário Quintana: todos esses que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão...Eu passarinho!. Voa Lula, voa!", concluiu.